Friday, July 22, 2011

Sol e Chuva



Sol e Chuva brincaram o dia todo. Vi aqui da minha janela, por entre a persiana.
Só não vi o arco íris, que bem podia ter dado o ar da graça.
Por sorte tenho um guardadinho.

(do começo de maio, foto e texto)

O dia triste resolveu abrir um sorriso!
Porque "a tristeza tem sempre uma esperança, a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não"
Tava tão pertinho
o arco íris
Nao quis cruzar
tive medo de virar menino

Mas
e se a gente cruzar juntos?
Eu viro você
você vira eu
a gente desvira e revira
e torna-se um ......

Sabe onde era?
Onde o asfalto acaba e a terra nasce
Em Joaquim.
Naquela viradinha
Onde a tristeza vira samba

Thursday, July 21, 2011

Surpreenda-se !





pedrinhas se encontram
em figuras tortas
círculos, triângulos e risos
se não há luz
não há beleza
se giro
tudo se transforma
no meu olhar

Sunday, September 12, 2010

Wednesday, September 8, 2010

Devagar, devagarinho

Sem algum tempo -sem alguma demora- pouco ou nada se percebe do que se está fazendo,, sentindo como sensação ou sentindo como emoção.
No meio da correria da vida, do tempo que corre, das pessoas que passam como vultos e das horas que voam, fazer qualquer ação de forma devagar é mais que uma necessidade. É um prazer. É o prazer propriamente dito. É o caminho. Se dizem que a felicidade é o caminho, então que bom se percorrermos esse caminho bem lentamente, prestando atenção em cada pedrinha, estando conscientes de cada passo.
Quando as coisas- 0s atos,digo- deixam de ter a finalidade em si, faz mesmo mais sentido desacelerar.
Hoje eu explicava para duas meninas o por quê da Yoga que eu pratico e ensino ser de va gar. O por quê de dar um tempinho entre uma postura e outra.
Por isso. Para perceber o que se está fazendo. O que se está sentindo como sensação. O que se está sentindo como emoção. Para aprender a perceber. A conhecer.
Para que o corpo tenha tempo para internalizar os processos.
Para que possamos nos encantar com as sutilezas que só a vagarosidade nos permite perceber.

Porque quando é bom a gente não quer que acabe.

Thursday, September 2, 2010

O BUG ??

Esse não é um post conspiratório. Tá, talvez, só um pouquinho. É mais uma preocupação, pois ando analisando certos acontecimentos e escutando experiências semelhantes de amigos.
O gmail tá com algum problema. Os emails já não são enviados com a absoluta certeza de antes. E mensagens como "Você já pensou o que faria se perdesse tudo do seu email?" aparecem na tela inicial.
A minha maior ferramenta de comunicação- e arquivo de toda essa comunicação- está dando sinais de que, a qualquer momento, algo muito sério pode acontecer com ela. Aquilo que não gostamos nem de imaginar parece que a qualquer momento vai acontecer.
Eu não sei muito do funcionamento desse mundo virtual: entender que tudo é baseado num sistema binário- combinações de 0 e 1- já é um grande esforço intelectual. Pensar onde estão guardadas as milhões de fotos e arquivos que já produzimos e continuamos a produzir num modo quase de "disparo contínuo" é uma viagem grande da minha imaginação. Porque simplesmente não concebo que posso haver um lugar físico que armazene tudo. E não há mesmo. São apenas zeros e uns em sequências.
As fotos, os textos, os poeminhas, as cartas de desabafo, os links para comunidades distantes, as mémorias de tempos reminiscentes que recheiam minha caixa de email como bem recheariam um fundo e negro baú se tornaram ooo111oooo1o1o1o1oooo1o1o1o1oo1oo1o ?
O que fazer agora ?? Imprimir tudo e terminar de abarrotar as caixinhas e armários que já estão lotados até a tampa ?? Salvar as memórias do que pode vir a ser um zero, vazio, escuro total ?? Ou deixar que elas tenham o direito de amarelar e que cheirem a outro tempo ?? È, o computador ainda não tem cheiro.
Ou ainda, se des-apegar e deixar que haja esse BUG do novo tempo, que tudo se vá mesmo, como se um vulcão entrasse em erupção e lavasse tudo o que houvesse pelo caminho, para depois renascermos das cinzas ??? Interessante, também.
E os emails que não chegam ao destinatário ?? Teremos, então, que voltar a escrever cartas, huuum, com caneta tinteiro, que deixam aquele cheiro gostoso de nanquim, e sair de casa e ir até o correio para enviá-las. E a alegria de quem as pegar nas mãos, tocar o papel, sentir a letra, o movimento das palavras ali escritas, será infinitamente maior do que abrir a caixa postal virtual.
E se meu correspondente morar mais perto do que o correio, melhor então será ir visitá-lo! DIM DOM. Não se houve mais a campainha, sem que antes haja um telefonema para "combinar"!! E depois falamos dos americanos! Nós mesmos vivemos dessas formalidades. Credo! Pelo menos eu, POR ENQUANTO, vivendo num grande centro urbano no estado de São Paulo. É o medo do contato. De invadir a INDIVIDUALIDADE do outro. Medo de atrapalhar. Atrapalhar o que? A solidão, só se for. Cada um no seu quadrado, cada um no seu quadrado.
Bláaaa... bláaaaa...bliii!!!!
Não vou esperar o gmail dar pau de vez. Já vou inaugurar essa nova era !!!
....Acho que esse é um post de descoberta !

Friday, August 27, 2010

Mudança de perspectiva

Adoro viajar de avião. Na janela, claro. Não há espetáculo melhor que olhar o mundo de cima.
Hoje vi o sol nascer em cima de Campinas, transformando as cores do céu. As nuvens distantes formam o horizonte. Depois passei pelo mar de montanhas das Minas Gerais. Três planos ficaram claros na tela da minha janela. As ondulações verdes no palno inferior, as nuvens fofas( sempre que penso no significado de fofura penso nesse tipo de nuvens) como os pontinhos brancos no plano intermediário e no último terço o azul-céu, ou céu azul. Quase que ilimitado-era ali que eu me encontrava dentro dessa pintura.
Após uma pausa para quebrar a cabeça com um joguinho de sudoku, avistei o mar. Bahiaaaaa!
Acompanhar o contorno da costa, a composição das linhas e presença do verde dos coqueiros contrastando com a água reluzente é definitivamente o que eu amo fazer as 10:30 da manhã de uma sexta feira!!!
A mudança de cenário proporciona a expansão da minha mente, dos meus horizontes-literalmente. Viajar é conhecer novos quadros. Se for para onde haja o barulho do mar então.. E para re-encontrar um querido amigo...vixiii...délícia demais !!! O sotaque baiano é música para meus ouvidos. A descontração do motorista de ônibus, a atenção e mimo do carinha da barraca que vem com um regador molhar seus pés, pois, afinal de quentes, ahahha, está calor e o peito do pé é sensível..." Oxe, não sabia que na Bahia era assim! Desse jeito vou querer morar aqui!!- é o que imediatamente digo.
Passar o entardecer na praia do Porto da Barra vendo o sol se por no mar, e depois ver Vênus brilhar do Farol da Barra é minha happy hour de sexta !!!
E a Bahia pulsa e ferve nas calçadas do Rio Vermelho, para depois cansar o pé dançando numa Borracharia que se transforma em balada(das boas!) de quinta à sábado!
"... Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu pratooo"....
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh !
Corpo quente do sol !!! :)

Wednesday, August 25, 2010

Ancestralidade

Já há algum tempo venho pensando nas linhas de ancestralidade, ou, colocado de forma mais simples, em como é interessante e engrandecedor pensar de quem viemos.

Estou falando da terceira geração: nossos avós.

Em julho, minha Voca (mãe da mãe) veio do Ceará para passar o mês comigo. E sua presença me fez um bem danado. Além do amor de vó, a identificação que eu sentia ao analisar seus traços me fazia vibrar. São delas os olhos puxados que herdei- nada de japonês. A história que a gente gosta de imaginar é que talvez tenha sido uma herança dos portugueses que andaram por Macau. Mas escutar suas histórias e ganhar novas perspectivas em como nossa família foi afetiva e socialmente construída é o melhor de tudo. Ao entender como a mãe criou a mãe, minha comprensão e admiração pelas duas só cresce.

Hoje descobri conexões com outra linha de vida que me gerou. Meu Vovô (pai do pai). Sua morte fez com que eu me desse conta de alguns vestígios dele em mim. Meu espírito aventureiro, de querer viajar e conhecer o mundão, e de busca pela liberdade, foi passado dele para meu pai, e de meu pai para mim. Quando viajava, não tinha pressa em chegar. Ia parando nos lugares para conhecer e contemplar o que houvesse por lá. Era de natureza muito contemplativa. Amava a lua cheia e os banhos de mar (herdei dele esse gosto). Eu não tive muita convivência com o Vovô. Meus irmão e primos tiveram mais. Me lembro bem dele de calção azul com metade da bunda para fora aguando as plantas no jardim ou voltando da feira dos passarinhos. E o Vovô gostava muito de agradar (como eu gosto). Para a Clarinha ele fazia uma caranguejada. Saía cedo para comprar cordas e mais cordas de caranguejo e depois, sentava do meu lado para me dar a parte mais desejada do bicho: a "patona". Era assim com todos e cada um de nós.
E na mais bela noite de lua cheia, ele partiu.
Foi-se de uma vida que no fim foi de sofrimento e aprisionamento (o fim para ele).
Disseram que tinha um semblante de paz. Imagino mesmo. Eu não pude estar lá.
Como um passarinho lindo (tão lindo que era) cantando um bolero, parte agora. Com serenidade dos que sabem que chegou a hora (acho que ele sabia).
Fica o sangue, as histórias e a lição. Ficamos- frutos que ele plantou e tão bem regou.
Obrigada, Vovô, porque as lágrimas que só agora consigo derramar são de agradecimento. Obrigada por ter deixado um poquinho de você em cada um de nós.
As saudades virão ... e passarão- a cada banho de mar, contemplar da lua cheia e estrada nova diante de nós.

p.s: e meu narizinho....só pode ser dele!